foto: Wolney Teixeira
O local era chamado pelos antigos moradores, os índios Tamoios, pelo nome “Gecay” cujo significado é “sal e pimenta”, pela vocação natural do fornecimento dessas duas especiarias usadas nos temperos de suas comidas. Após a ocupação portuguesa e um período de dois séculos de extração do Pau Brasil, a região viveu um período de total abandono, até a data de 1818, quando o capitão mor da esquadra do exército brasileiro, Luis Lindemberg, recebeu permissão da Coroa Portuguesa para a fabricação de sal artificial, que já acontecia na região ilegalmente e em pequena escala, já que o sal também era produzido na metrópole portuguesa. Os interesses de Lindemberg somado a escassez do produto no Brasil na época e também a proximidade do local com a capital fizeram com que a cidade de Cabo Frio desse início a uma grande transformação social, econômica e urbanística.
foto: Wolney Teixeira
Nas extensas salinas, com seus muitos moinhos de vento e grandes montanhas de sal, desenvolveram-se também pequenos vilarejos com casas, igrejas, escolas e campos de futebol. Trabalhadores vinham com suas famílias de todo Brasil e também de Portugal em busca de oportunidades.
foto: Marcílio Matos Coelho
O sal, que sempre foi um bem precioso na sociedade chegando até a ser chamado de “ouro branco”. Ele, que durante a época romana, na falta de moedas, serviu de pagamento aos soldados por serviços prestados, dando origem à palavra “salário” que vem do latim “salarium”, agora impulsionava a economia de Cabo Frio, fazendo crescer a cidade, seus portos, sua população e a vida social e cultural. Dessa forma foi também fundamental no desenvolvimento do interior do país, quando nas expedições rumo ao ouro carnes e peixes eram conservados com o sal produzido nessas salinas.

As salinas já chegaram a produzir mais de duzentas mil toneladas de sal ao ano. Elas se espalhavam por toda margem dos rasos espelhos d`águas da grande Laguna de Araruama, entrando pelo Canal de Itajurú, até quase o encontro com o mar na boca da barra. Pelas águas eram intensas as navegações de barcaças de sal que traziam o produto das salinas até o porto principal da cidade, no bairro da Passagem, onde o produto era estocado até a chegada das grandes caravelas (posteriormente barcos a vapor) que levavam o sal para o Rio de Janeiro.
foto: Marcílio Matos Coelho
Foram décadas de desenvolvimento da cidade impulsionado pela indústria salineira. A região passava a ser conhecida também por sua beleza natural com praias paradisíacas. Por meio do porto, o intercâmbio cultural era grande entre a pequena cidade e a capital. Na tradicional praça de São Benedito, ao lado da Primeira Igreja da cidade, escravos faziam rodas de Jongo e Capoeira. A burguesia e suas belas casas movimentavam a economia local. Floresce também as fazendas de gado e alimentos nos arredores das cidades para suprir as necessidades da região. Paralelamente o país se desenvolve.
foto: Wolney Teixeira
A chegada do trem em Cabo Frio e também a ampliação e melhora das estradas de acesso facilitaram os transporte de produtos e fizeram crescer os interesses turísticos. A melhora na área de transportes tornou mais viável também o desenvolvimento do sal em outras regiões mais longínquas, principalmente na região norte, onde novas técnicas de extração de sal eram usadas nas salinas do Rio Grande do Norte. Começa então o declínio da era salineira na Região dos Lagos.
foto: André Amaral
A mudança climática, mais notada a partir do ano 2000, contribui no processo de decadência das salinas. A região que antes contava com sol e vento quase todo ano passava a receber longas frentes frias chuvosas cada vez mais freqüentes, principalmente nos verões.
Com a diminuição da produção local e o conseqüente fechamento das salinas, cresce o espaço para a especulação imobiliária na região. Até o ano 2010, 90% das salinas fecharam suas portas enquanto os 10% restantes de salineiros ainda insistem no cultivo do sal, porém sem muitas expectativas. Eles lutam contra adversidades tais como: baixo preço pago pelo seu produto, a falta de mão de obra e por último o fator climático.
